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Seu Estudo de Dam Break Está Desatualizado? A ANM 220/2025 Mudou o Padrão da Topografia

  • Writer: Equipe de Conteúdo
    Equipe de Conteúdo
  • Apr 20
  • 5 min read

A maioria dos gestores de barragens sabe que o prazo de 30 de julho de 2027 se aproxima. Poucos, no entanto, reconhecem o real gargalo técnico que tornará inválidos os estudos de dam break já existentes: a topografia de base.


A Resolução ANM nº 220/2025, ao estabelecer novos critérios para os estudos de área de inundação (Arts. 32 e 76), não apenas fixou prazos — ela elevou implicitamente o padrão da qualidade topográfica exigida para a modelagem hidrodinâmica. Estudos construídos sobre MDTs derivados de SRTM ou fotogrametria RGB convencional, que eram tecnicamente aceitáveis há cinco anos, hoje apresentam limitações que comprometem a representatividade dos resultados das simulações em HEC-RAS 2D, MIKE FLOOD ou IBER.


Este artigo examina por que isso acontece e o que a tecnologia LiDAR aerotransportado com drone representa como resposta técnica a esse problema.


O Problema da Topografia de Base nos Estudos de Dam Break

A modelagem de ruptura hipotética é intrinsecamente sensível à qualidade do Modelo Digital de Terreno (MDT) utilizado como base. As equações de Saint-Venant, implementadas nos softwares de simulação 2D, dependem de uma representação fidedigna da geometria do terreno para calcular corretamente a propagação da onda de cheia, os tempos de chegada e as cotas de inundação. Imprecisões de poucos decímetros em áreas de baixa declividade, típicas de planícies de inundação e fundos de vale, podem deslocar significativamente as manchas de inundação e, consequentemente, os limites da ZAS (Zona de Autossalvamento) e da ZSS (Zona de Segurança Secundária).


O SRTM (Shuttle Radar Topography Mission), com resolução nominal de 30 metros e erro altimétrico frequentemente na ordem de 5 a 10 metros, é tecnicamente insuficiente para a delimitação precisa dessas zonas em terrenos de topografia suave. A fotogrametria RGB com drone, amplamente difundida como alternativa mais acessível, resolve o problema da resolução espacial, mas introduz outro igualmente crítico: a incapacidade de penetrar a cobertura vegetal.


Em regiões de Mata Atlântica, Cerrado ou pastagens com vegetação arbustiva densa, o modelo gerado por fotogrametria convencional (SfM) produz um Modelo Digital de Superfície (MDS/DSM), não um Modelo Digital de Terreno (MDT). Quando esse modelo é inserido em um solver 2D, o escoamento simulado é fisicamente inconsistente — a onda de inundação "encontra" barreiras topográficas que não existem no terreno real, ou deixa de fluir por corredores naturais encobertos por dossel arbóreo.


O que a ANM 220/2025 Exige — e o que Implica Tecnicamente

Os Arts. 32 e 76 da Resolução ANM nº 220/2025 estabelecem que os estudos de delimitação da área de inundação devem estar concluídos até 30/07/2027 para todas as barragens sujeitas ao PNSB.


A exigência de topografia precisa para a fundamentação desses estudos está implícita nos critérios de qualidade que a norma impõe sobre os planos PAE (Plano de Ação de Emergência) e os processos de classificação CRI.


Além disso, o Art. 13, §4º penaliza com pontuação CRI máxima qualquer barragem cuja drenagem superficial não esteja em conformidade com o projeto aprovado. A verificação rigorosa desse requisito, como identificação de inversões de declividade, acúmulos indevidos de água e degradação de canaletas, exige uma base topográfica com precisão centimétrica, não decimétrica.


A combinação entre o Art. 38 (EIR quinzenal) e o Art. 21 (penalização por vegetação que impede inspeção visual) cria um cenário em que a base topográfica precisa ser não apenas precisa, mas atualizada periodicamente. Uma topografia produzida em 2019 com SRTM não satisfaz a exigência de atualidade implícita nos ciclos de inspeção e reclassificação previstos na norma.


Drone com LiDAR: O Padrão Técnico para Estudos ANM 220

O LiDAR (Light Detection and Ranging) transportado por drone opera por um princípio fundamentalmente diferente da fotogrametria. Em vez de reconstruir geometria a partir de correlação de imagens, ele emite pulsos laser que interagem com todos os objetos em seu caminho — incluindo o solo sob a vegetação.


Sistemas como o DJI Zenmuse L2 (LiDAR), com suporte a até 5 retornos por pulso e tamanho de ponto laser reduzido, conseguem discriminar entre retornos do dossel, sub-bosque e solo, produzindo um MDT verdadeiro mesmo em áreas com cobertura vegetal densa.


O Zenmuse L2 oferece precisão vertical de 4 cm e horizontal de 5 cm, com alcance de detecção de até 450 m e capacidade de cobertura de 2,5 km² por voo. Em uma bacia hidrográfica à jusante de uma típica barragem de rejeitos, a velocidade de cobertura e a qualidade do MDT gerado determinam diretamente a viabilidade do prazo de 2027.


A geração de Gêmeos Digitais (Digital Twins) fotorrealísticos, combinando LiDAR com câmera RGB de 20 MP e vídeo 4K, adiciona uma camada de documentação que suporta o preenchimento rigoroso dos formulários de EIR e a elaboração de relatórios DSR.


A compatibilidade direta dos dados LiDAR com os principais softwares de modelagem hidrodinâmica — HEC-RAS 2D, MIKE FLOOD e IBER — elimina etapas intermediárias de conversão e reduz a incerteza introduzida no pipeline de dados.


Da Topografia à Zona de Autossalvamento: A Cadeia de Precisão

O fluxo técnico de um estudo de ruptura hipotética pode ser representado como uma cadeia: MDT → simulação hidrodinâmica → delimitação de manchas → definição de ZAS e ZSS → PAE.


Em cada elo, erros da etapa anterior se propagam e se amplificam. Um MDT com desvio altimétrico de 3 metros em área plana pode deslocar a mancha de inundação em centenas de metros e reclassificar populações inteiras dentro ou fora da ZAS.


Do ponto de vista regulatório, essa precisão tem consequências diretas: a classificação incorreta da ZAS impacta a pontuação no CRI, o DPA (Dano Potencial Associado), e, consequentemente, o nível de monitoramento exigido pelo Art. 20 da ANM 220/2025. Uma barragem subclassificada representa risco real; uma superclassificada gera custos de conformidade desnecessários.


O papel do Engenheiro de Registros (EdR), introduzido pelo Art. 70 como exigência para barragens DPA2 ≥ 4, reforça ainda mais a necessidade de dados topográficos contínuos e auditáveis. O EdR precisará fundamentar suas avaliações em séries temporais de dados — e a comparação entre levantamentos LiDAR sucessivos permite detectar subsidências, erosões e movimentos de massa incipientes que escapam à inspeção visual convencional.


Conclusão

A Resolução ANM nº 220/2025 não menciona explicitamente o LiDAR. Mas ao estabelecer os padrões de precisão exigidos para a delimitação das zonas de inundação, ela torna a tecnologia não apenas recomendável, mas tecnicamente necessária em qualquer área com cobertura vegetal significativa à jusante da estrutura. Gestores de barragens que ainda dependem de topografias antigas para fundamentar seus estudos de Dam Break deveriam avaliar com urgência a adequação de suas bases de dados.



Quer entender como o LiDAR pode ser aplicado à sua barragem? Entre em contato com a equipe da Mogo.

*Esse artigo foi gerado com apoio de IA.


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